:: Ética
local ::
:: ÉTICA NA MONTANHA ::
A Declaração do Tirol sobre a Boa Prática nos Esportes
de Montanha
“Ampliem seus
limites, elevem seus espíritos e almejem o topo”
Adotada pela Conferência sobre o Futuro dos Esportes de Montanha,
Innsbruck, 6 – 8 de Setembro, 2002
Por todo o mundo,
milhões de pessoas praticam montanhismo, caminhada, trekking e
escalada em rocha. Em muitos países, esportes de montanha se tornaram
um fator significante no dia-a-dia.
Quase nenhuma outra
atividade engloba tão amplo espectro motivacional como os esportes
de montanha. Eles proporcionam às pessoas a oportunidade de concretizar
objetivos pessoais e de participar de uma atividade significativa por
toda a vida. Os motivos para estar ativo nas montanhas e sobre as rochas
se estendem de benefícios da saúde, prazer do movimento,
contato com a natureza e incentivos sociais à emoção
da exploração e da aventura.
A Declaração
do Tirol sobre a Melhor Prática em Esportes de Montanha, promulgada
pela Conferência sobre o Futuro dos Esportes de Montanha em Innsbruck,
em 8 de setembro de 2002, contém um conjunto de valores e máximas
que proporcionam uma orientação sobre a melhor prática
em esportes de montanha. Não são regras ou instruções
detalhadas – no lugar disso, elas:
1. Definem os valores
fundamentais atuais nos esportes de montanha
2. Contêm princípios e padrões de conduta
3. Formulam os critérios de ética para tomada de decisões
em situações incertas
4. Apresentam princípios éticos pelos quais o público
pode julgar os esportes de montanha
5. Introduzem a iniciantes os valores e princípios morais de seu
esporte.
É objetivo
da Declaração do Tirol ajudar a concretizar o potencial
inato dos esportes de montanha para recreação e para crescimento
pessoal, e também para promoção de desenvolvimento
social, compreensão cultural e consciência ambiental. Para
essa finalidade, a Declaração do Tirol se vale de valores
e códigos de conduta não escritos inerentes ao esporte e
os expande para satisfazer as demandas de nosso tempo. Os valores fundamentais
em que a Declaração do Tirol é baseada valem para
todos os praticantes de esportes de montanha de todo o mundo – sejam
eles caminhantes e andarilhos, escaladores esportivos ou montanhistas
buscando estender seus limites em grandes altitudes. Mesmo que algumas
das orientações de conduta sejam relevantes apenas para
uma pequena elite, muitas das propostas formuladas na Declaração
do Tirol são endereçadas à comunidade de esportes
de montanha como um todo. Com essas sugestões nós desejamos
atingir nossos jovens, pois eles são o futuro dos esportes de montanha.
A Declaração
do Tirol é um apelo para que:
:: Aceitem os riscos
e assumam responsabilidade
:: Equilibrem seus objetivos com suas habilidades e equipamentos
:: Joguem por meios razoáveis e relatem honestamente
:: Esforcem-se pela melhor prática e nunca parem de aprender
:: Sejam tolerantes, respeitem e ajudem uns aos outros
:: Protejam o caráter selvagem e natural das montanhas e paredes
:: Apoiem as comunidades locais e seu desenvolvimento sustentável.
A Declaração
do Tirol se baseia na seguinte hierarquia de valores:
:: Dignidade humana
– a premissa de que seres humanos nascem livres e iguais em dignidade
e direitos e de que devem tratar uns aos outros em espírito de
fraternidade. Atenção particular deve ser dada para equalizar
os direitos de homens e mulheres.
:: Vida, liberdade e felicidade – como direitos humanos inalienáveis
e com a responsabilidade especial nos esportes de montanha de ajudar a
proteger os direitos das comunidades em áreas montanhosas.
:: Proteção da natureza – como um compromisso para
assegurar o valor ecológico e as características naturais
de montanhas e paredes em todo o mundo. Isso inclui a proteção
de espécies ameaçadas de flora e fauna, de seus ecossistemas
e da paisagem.
:: Solidariedade – com uma oportunidade de, por meio da participação
em esportes de montanha, promover trabalho em equipe, cooperação
e compreensão, e superar barreiras em função de sexo,
idade, nacionalidade, nível de habilidade, origem social ou étnica,
religião ou crença.
:: Realização pessoal – como uma chance de, por meio
da participação em esportes de montanha, progredir significativamente
em metas importantes e lograr satisfação pessoal.
:: Verdade – como reconhecimento de que a honestidade em esportes
de montanha é essencial para a avaliação de feitos.
Se a arbitrariedade toma o lugar da verdade, torna-se impossível
valorar a performance na escalada.
:: Excelência – como uma oportunidade de, por meio da participação
em esportes de montanha, esforçar-se para atingir metas ainda inalcançadas
e para estabelecer padrões mais elevados.
:: Aventura – como reconhecimento de que, em esportes de montanha,
a administração do risco por meio de avaliação
criteriosa, habilidades e responsabilidade pessoal é um fator essencial.
A diversidade de esportes de montanha permite a qualquer um escolher sua
própria aventura, na qual habilidades e perigos estejam em equilíbrio.
Os Artigos
da Declaração do Tirol
As Máximas
e as Diretrizes da Declaração do Tirol
:: Artigo 1 –
Responsabilidade Individual
MÁXIMA
Montanhistas e escaladores
praticam seus esportes em situações nas quais há
risco de acidentes e em que a ajuda externa pode não estar disponível.
Com isso em mente, eles se dedicam a essas atividades sob sua própria
responsabilidade, sendo de sua conta sua própria segurança.
As ações de um indivíduo não devem expor a
perigo nem o próximo, nem o meio ambiente.
1. Nós escolhemos
nossas metas de acordo com nossas reais habilidades ou com as da equipe
e de acordo com as condições na montanha. Desistir da escalada
deve ser uma opção válida.
2. Nós nos asseguramos de que temos o treinamento adequado para
nosso objetivo, de que planejamos nossa escalada ou caminhada cuidadosamente,
tendo providenciado as preparações necessárias.
3. Nós nos asseguramos de que estamos equipados apropriadamente
em cada excursão e que sabemos como usar o equipamento.
:: Artigo 2 –
Espírito de Equipe
MÁXIMA
Membros de uma equipe
devem estar dispostos a fazer concessões para equilibrar os interesses
e habilidades de todo o grupo.
1. Cada membro da
equipe deve estimar seus companheiros de equipe e deve assumir responsabilidade
pela segurança deles.
2. Nenhum membro de equipe deve ser deixado sozinho se isso colocar em
risco seu bem-estar.
:: Artigo 3 –
Comunidade de Escalada & Montanhismo
MÁXIMA
Nós devemos
a todas as pessoas que encontramos nas montanhas ou nas rochas uma porção
igual de respeito. Mesmo em condições isoladas e em situações
estressantes, nós não devemos nos esquecer de tratar os
outros da maneira como queremos que nos tratem.
1. Nós fazemos
tudo o que podemos para não expor os outros a perigo e nós
avisamos os outros sobre perigos em potencial.
2. Nós asseguramos que ninguém seja discriminado.
3. Como visitantes, nós respeitamos as regras locais.
4. Nós não atrapalhamos ou perturbamos os outros mais do
que o necessário. Nós damos passagem a grupos mais velozes.
Nós não ocupamos vias que outros estejam aguardando para
fazer.
5. Nossos relatórios de escaladas refletem com veracidade os eventos
reais em detalhe.
:: Artigo 4 –
Visitando Países Estrangeiros
MÁXIMA
Como convidados em
culturas estrangeiras, nós devemos sempre nos comportar de forma
educada e com comedimento em relação aos nativos –
nossos anfitriões. Nós vamos respeitar montanhas sagradas
e outros lugares sagrados, ao mesmo tempo em que buscaremos beneficiar
e ajudar a economia local e os nativos. Compreensão de culturas
estrangeiras é parte de uma experiência completa de escalada.
1. Sempre trate as
pessoas do país anfitrião com simpatia, tolerância
e respeito.
2. Cumpra estritamente qualquer regulamento de escalada implementado pelo
país anfitrião.
3. É aconselhável ler sobre a história, sociedade,
estrutura política, arte e religião do país a ser
visitado antes de embarcar na viagem para melhorar nosso entendimento
sobre suas pessoas e seu ambiente. No caso de incerteza política,
busque conselho oficial.
4. É sábio desenvolver algumas habilidades básicas
na língua do país anfitrião: formas de saudação,
por favor e obrigado, dias da semana, hora, números etc. É
sempre impressionante ver como esse investimento tão pequeno melhora
a qualidade da comunicação. Dessa forma, nós contribuímos
para o entendimento entre as culturas.
5. Nunca deixe passar uma oportunidade de compartilhar suas habilidades
de escalada com locais interessados. Expedições conjuntas
com escaladores nativos são o melhor cenário para troca
de experiências.
6. Nós evitamos a todo custo ofender os sentimentos religiosos
de nossos anfitriões. Por exemplo, nós não devemos
mostrar pele descoberta em lugares em que isso seja inaceitável
por razões religiosas ou sociais. Se algumas expressões
de outras religiões estão além de nossa compreensão,
nós somos tolerantes e evitamos julgar.
7. Nós damos toda assistência possível a habitantes
locais em necessidade. Um médico de expedição está
sempre em posição de fazer uma diferença decisiva
na vida de uma pessoa extremamente doente.
8. Para beneficiar economicamente as comunidades de montanha, nós
compramos produtos regionais, se viável, e nos valemos dos serviços
locais.
9. Nós somos encorajados a assistir comunidades de montanha iniciando
e sustentando empreendimentos que favoreçam o desenvolvimento sustentável,
como por exemplo os serviços de treinamento e educação
ou iniciativas econômicas ecologicamente compatíveis.
:: Artigo 5 –
Responsabilidades de Guias de Montanha e outros Líderes
MÁXIMA
Cada guia de montanha
profissional, líder e membro de grupo deve entender seu respectivo
papel e respeitar as liberdades e direitos de outros grupos e indivíduos.
Para serem guias preparados, líderes e membros de grupos devem
entender as demandas, os perigos e os riscos do objetivo, ter as habilidades
necessárias, experiência e equipamento adequado, e checar
o tempo e outras condições.
1. O guia ou líder
informa o cliente ou o grupo sobre o risco inerente em uma escalada e
sobre o nível real de perigo, e, se os participantes têm
experiência suficiente, envolve-os no processo de tomada de decisão.
2. A via selecionada deve estar adequada à habilidade e à
experiência do cliente ou do grupo de maneira a assegurar que a
experiência seja agradável e enriquecedora.
3. Se necessário, o guia ou líder reconhece o limite de
sua própria habilidade e, quando apropriado, indica colegas mais
capazes para os clientes ou grupos. É responsabilidade dos clientes
e dos membros de grupos deixar claro se eles acreditam que um risco ou
perigo é muito grande e se o retorno ou opções alternativas
devem ser seguidas.
4. Em circunstâncias como escaladas extremas e ascensões
em alta montanha, guias e líderes devem informar com cuidado seus
clientes e grupos para se certificarem de que todo mundo está totalmente
alertado sobre os limites de suporte que guias e líderes podem
prover.
5. Guias locais informam a colegas visitantes sobre as particularidades
características de sua área e sobre as condições
atuais.
:: Artigo 6 –
Emergências, Morbidez e Morte
MÁXIMA
Para estarem preparados
para emergências e situações envolvendo acidentes
sérios e morte, todos os praticantes de esportes de montanha devem
entender claramente os riscos e perigos e a necessidade de se ter habilidades,
conhecimentos e equipamentos adequados. Todos os praticantes precisam
estar prontos para ajudar os outros no caso de uma emergência ou
acidente, e também estar preparados para encarar as conseqüências
de uma tragédia.
1. O socorro a alguém
em apuros tem absoluta prioridade sobre atingir objetivos que estipulamos
para nós mesmos nas montanhas. Salvar uma vida ou reduzir o dano
à saúde de uma pessoa ferida é muito mais valoroso
do que a mais difícil de todas as conquistas.
2. Numa emergência, se ajuda externa não está disponível
e nós estamos em posição de ajudar, devemos estar
preparados para dar todo o suporte que podemos às pessoas em apuros,
desde que seja viável sem nos expor ao perigo.
3. Deve ser proporcionado a quem esteja seriamente ferido ou moribundo
todo conforto possível, bem como lhe deve ser oferecido suporte
de preservação de vida.
4. Em uma área remota, se não for possível recuperar
o corpo, deve ser registrada a localização da forma mais
precisa possível, bem como quaisquer indicações da
identidade do morto.
5. Objetos como câmera, diário, notebook, fotos, cartas e
outros artefatos pessoais devem ser guardados e entregues aos familiares.
6. Sob nenhuma circunstância podem ser publicadas fotos do morto
sem o consentimento prévio da família.
:: Artigo 7 –
Acesso e Conservação
MÁXIMA
Nós acreditamos
que a liberdade de acesso a montanhas e paredes de maneira responsável
é um direito fundamental. Nós devemos sempre praticar nossas
atividades de uma forma ambientalmente sensível e devemos ser proativos
na preservação da natureza. Nós respeitamos restrições
a acesso e regulamentos acordados entre escaladores e organizações
de conservação de natureza e autoridades.
1. Nós respeitamos
as medidas de preservação de ambientes de parede e montanha
e da vida selvagem que eles sustentam, e nós encorajamos nossos
companheiros escaladores a fazer o mesmo. Evitando fazer barulho, nós
nos esforçamos na redução da perturbação
da vida selvagem ao mínimo.
2. Se possível, nós nos locomovemos para nossos destinos
usando transporte público ou outros transportes coletivos para
minimizar o tráfico nas estradas.
3. Para evitar erosão e não perturbar a vida selvagem, nós
permanecemos nas trilhas durante aproximações e descidas
e, quando fora da trilha, escolhemos a rota menos agressiva ao ambiente.
4. Durante os períodos de acasalamento e nidificação
de espécies que habitam as montanhas, nós respeitamos restrições
sazonais de acesso. Logo que tomamos ciência de qualquer atividade
de acasalamento, nós devemos passar adiante essa informação
para outros escaladores e assegurar que eles fiquem fora da área
de nidificação.
5. Durante conquistas, nós tomamos o cuidado de não ameaçar
o biótopo de espécies raras de plantas e animais. Ao equipar
ou reequipar vias, nós devemos tomar todas as precauções
para minimizar seu impacto ambiental.
6. As conseqüências da popularização de áreas
através de retrogrampeação devem ser cuidadosamente
consideradas. O aumento de números pode causar problemas de acesso.
7. Nós minimizamos o dano à rocha por meio da utilização
da técnica de proteção menos prejudicial.
8. Nós não apenas carregamos nosso próprio lixo de
volta para a civilização, como também catamos qualquer
detrito deixado por outros.
9. Na ausência de instalações sanitárias, nós
mantemos uma distância adequada de casas, locais de acampamento,
córregos, rios e lagos durante a defecação e tomamos
todas as medidas necessárias para evitar dano ao ecossistema. Nós
procuramos não agredir o senso estético das pessoas. Em
áreas muito freqüentadas com um baixo nível de atividade
biológica, os escaladores têm o encargo de carregar de volta
suas fezes.
10. Nós mantemos o local de acampamento limpo, evitando gerar lixo
tanto quanto possível ou dispondo dele adequadamente. Todos os
materiais de escalada – cordas fixas, barracas e garrafas de oxigênio
– devem ser removidos da montanha.
11. Nós mantemos o consumo de energia no mínimo. Especialmente
em países com falta de lenha, nós evitamos ações
que possam contribuir para a destruição das florestas. Em
países com florestas ameaçadas, nós precisamos levar
combustível suficiente para preparar comida para todos os participantes
da expedição.
12. Turismo de helicóptero deve ser minimizado onde for prejudicial
à natureza ou à cultura.
13. Em conflitos sobre matérias de acesso, proprietários
de terra, autoridades e associações devem negociar soluções
satisfatórias para todas as partes.
14. Nós temos papel ativo na implementação de regulamentos,
especialmente dando publicidade a eles e implementando a infraestrutura
necessária.
15. Ao lado de associações de montanhismo e outros grupos
de conservação, nós somos proativos a nível
político no que diz respeito à proteção de
habitats naturais e do ambiente.
:: Artigo 8 –
Estilo
MÁXIMA
A qualidade da experiência
e a forma como resolvemos o problema é mais importante do que se
o resolvemos. Nós nos esforçamos por não deixar rastros.
1. Nós almejamos preservar o caráter original de todas as
escaladas, em especial aquelas com importância histórica.
Isso significa que os escaladores não devem aumentar a quantidade
de proteções fixas em vias existentes. A exceção
é quando há um consenso local – incluindo a aprovação
dos conquistadores – para mudar o nível de proteções
fixas por meio da colocação de novas peças ou da
remoção de proteções existentes.
2. Nós respeitamos a diversidade de tradições regionais
e não tentaremos impor nosso ponto de vista a outras culturas de
escalada – nem aceitaremos os valores de outros impostos sobre os
nossos.
3. Rochas e montanhas são um recurso limitado para aventura que
deve ser compartilhado por escaladores com os mais diversos interesses
e por muitas gerações que virão. Nós entendemos
que gerações futuras precisarão encontrar suas próprias
NOVAS aventuras dentro desse limitado recurso. Nós tentamos desenvolver
paredes ou montanhas de uma forma que não roube a oportunidade
do futuro.
4. Em uma região em que grampos são aceitos, é desejável
que sejam mantidas vias, seções de morros ou morros inteiros
livres de grampos de maneira a preservar um refúgio para aventura
e para mostrar respeito pelos diversos interesses de escalada.
5. Vias com proteções naturais podem ser tão divertidas
e seguras para escaladores recreativos quanto vias grampeadas. A maior
parte dos escaladores pode aprender a colocar proteção natural
segura e todos devem ser educados para o fato de que isso proporciona
aventura adicional e uma experiência rica e natural, com segurança
comparável, uma vez aprendidas as técnicas.
6. Em caso de grupos com interesses conflitantes, os escaladores devem
resolver suas diferenças através de diálogo e negociação
para evitar que o acesso seja ameaçado.
7. Pressões comerciais nunca devem influenciar a ética de
escalada de uma pessoa ou de uma região.
8. Bom estilo em alta montanha implica no não uso de corda fixas,
drogas de aumento de performance ou oxigênio engarrafado.
:: Artigo 9 –
Conquistas
MÁXIMA
A conquista de uma
via ou de uma montanha é um ato de criação. Ela deve
ser feita em bom estilo de acordo com as tradições da região
e devem mostrar responsabilidade com a comunidade de escalada local e
com as necessidades dos escaladores futuros.
1. Conquistas devem ser ambientalmente responsáveis e compatíveis
com regulamentos locais, com as vontades dos proprietários dos
terrenos e com os valores espirituais da população local.
2. Nós não vamos desfigurar a rocha por meio da quebra ou
da adição de agarras.
3. Em regiões alpinas, as conquistas devem ser feitas exclusivamente
guiando (sem peça pré-fixada acima).
4. Uma vez respeitadas as tradições locais, cabe ao conquistador
determinar o nível de proteções fixas em suas vias
(levando em consideração as sugestões do artigo 8).
5. Em áreas designadas como reservas selvagens ou naturais por
administradores ou pelo comitê de acesso local, grampos devem ser
limitados ao mínimo absoluto para preservação do
acesso.
6. Cavar buracos e bater grampos durante a conquista de vias em artificial
deve ser mantido em um mínimo (grampos devem ser evitados mesmo
em ancoragens de paradas, a menos que sejam absolutamente necessários).
7. Vias de aventura devem ser deixadas tão naturais quanto possível,
contando com proteção móvel sempre que viável
e utilizando grampos apenas quando necessário e sempre sujeitando-se
às tradições locais.
8. O caráter independente das vias adjacentes não deve ser
comprometido.
9. No relatório de conquistas, é importante relatar os detalhes
com a maior precisão possível. A honestidade e a integridade
de um escalador serão presumidas a menos que haja evidência
comprometedora.
10. Altas montanhas são um recurso limitado. Nós encorajamos
os escladores a utilizarem o melhor estilo.
:: Artigo 10 –
Patrocínio, Propaganda e Relações Públicas
MÁXIMA
A cooperação
entre patrocinadores e atletas deve ser uma relação profissional
que sirva aos melhores interesses dos esportes de montanha. É responsabilidade
da comunidade de esportes de montanha, em todos os seus aspectos, educar
e informar tanto a mídia como o público de uma maneira proativa.
1. Compreensão mútua entre o patrocinador e o atleta é
necessária para a definição de objetivos em comum.
As muitas facetas dos esportes de montanha requerem a identificação
clara da especialização tanto do atleta quanto do patrocinador
para maximizar as oportunidades.
2. Para manter e melhorar seus níveis de performance, escaladores
são dependentes de um contínuo suporte de seus patrocinadores.
Por esta razão, é importante que os patrocinadores mantenham
a cobertura de seus parceiros mesmo após uma série de falhas.
Sob nenhuma circunstância pode o patrocinador pressionar o escalador
a obter resultados.
3. Para estabelecer uma presença permanente em toda as mídias,
canais claros de comunicação devem ser organizados e mantidos.
4. Escaladores devem se esforçar em relatar suas atividades realisticamente.
Um relatório preciso melhora não apenas a credibilidade
do escalador, mas também a reputação pública
de seu esporte.
5. O atleta é responsável em última instância
por representar ao patrocinador e à mídia a ética,
o estilo e a responsabilidade ambiental estatuída na Declaração
do Tirol.
O Pluralismo
dos Jogos de Escalada
A escalada moderna
abrange um largo espectro de atividades, variando desde caminhadas e escaladas
em boulders a escaladas em paredes e montanhismo. O Montanhismo compreende
formas extremas de alpinismo em alta montanha e expedições
de escalada em grandes altitudes como os Andes ou o Himalaia. Apesar de
as linhas divisórias entre as várias formas de escalada
não serem de nenhuma forma rígidas, a categorização
a seguir torna possível apresentar a vasta diversidade dos esportes
de montanha de forma inteligível:
:: Caminhada e trekking
Caminhada para abrigos de montanha, colos e cumes é a forma de
montanhismo mais difundida. Uma caminhada de vários dias na montanha
e em outras áreas selvagens, especialmente fora da trilha batida,
é muitas vezes chamada de trek. Uma caminhada se transforma em
uma forma de montanhismo tecnicamente mais exigente tão logo as
mãos tenham que ser utilizadas para progresso.
:: Escalada de via
ferratas
Vias em terreno rochoso íngreme equipadas com cabos de aço
e degraus de ferro estão se tornando mais e mais populares. Uma
arena até então reservada para escalada técnica em
rocha torna-se acessível por meio de uma elaborada infraestrutura
e sistemas especiais de proteção.
:: Montanhismo clássico
Um montanhista nesta categoria irá escalar vias de até 2.º
grau e subir vertentes de neve e gelo de até 50º de inclinação.
Os objetivos típicos nesta categoria são as vias normais
de picos na zona alpina.
:: Montanhismo de
esqui
Os praticantes desta forma clássica de alpinismo usam esquis alpinos
ou esquis telemark para subir montanhas ou realizar longas travessias.
Devido à complexidade das habilidades requeridas, esta disciplina
se classifica entre as mais exigentes – e perigosas – formas
de montanhismo.
A Hierarquia dos “Jogos de Escalada”
Um sistema para categorização
dos diferentes tipos de escalada introduzido por Lito Tejada-Flores tem
se mostrado útil para a descrição das muitas facetas
que a escalada técnica moderna tem adquirido. Cada tipo especializado
de “jogo” de escalada é definido por um conjunto informal,
mas preciso, de regras formuladas de forma a tornar a tarefa à
mão difícil – e por isso mais interessante. Quanto
maior o perigo em um jogo de escalada específico devido ao ambiente
natural, mais indulgentes as restrições para uso de equipamento
técnico. Quanto menores os riscos objetivos, mais estritas se tornam
as regras.
:: Escalada de Matacões
ou Boulders
Na escalada de matacões, lances difíceis em rocha próximos
ao chão são trabalhados, normalmente sem corda. O equipamento
permitido é reduzido a sapatilhas, magnésio e – nos
dias atuais – “crash pad”. Escalada de boulder é
praticada tanto em matacões naturais e rochas quanto em objetos
artificiais.
:: Escalada em objetos
artificiais
Nos dias de hoje muitos escaladores utilizam muros artificiais para treinamento
e lazer, tanto em casa, quanto em academias ou mesmo em ambientes abertos.
Um número crescente de escaladores se dedica exclusivamente a muros
artificiais. Há ainda novas formas como escalada terapêutica
e escalada artística, como dança ou balé, por exemplo.
:: Escalada em falésias
Vias de um a três esticões são chamadas de falésias.
Como são vias curtas e com ausência quase total de perigos
objetivos, a ética da escalada livre tem ganhado aceitação
internacional para esse tipo de escalada nas últimas duas décadas.
Isso significa que uma via somente conta se nenhum ponto de apoio artificial
tiver sido empregado para progressão durante a ascensão.
:: Escalada contínua
Se uma escalada é mais longa do que três ou quatro esticões,
é chamada via de escalada contínua.
:: Escalada de grandes
paredes/escalada artificial
Neste jogo de escalada desenvolvido no Vale de Yosemite, os praticantes
ascendem paredes, que não podem ser escalada em livre, com equipamentos
especialmente projetados. Eles se esforçam para reduzir tanto quanto
possível a perfuração de buracos para a colocação
de grampos ou de outros meios de progresso, dessa forma deixando o mínimo
de vestígios após completar a ascensão.
:: Escalada alpina
No “jogo alpino”, os praticantes não apenas têm
que lidar com problemas postos pela escalada em si, mas também
com perigos “objetivos” do ambiente freqüentemente hostil
das altas montanhas. Como a sobrevivência freqüentemente depende
não apenas da habilidade de dominar com segurança os problemas
técnicos da via, mas também da velocidade da cordada, as
regras não escritas do jogo alpino classicamente permitem o uso
de pitons e proteções móveis para progressão.
Entretanto, num processo iniciado no final dos anos sessenta, os princípios
de escalada livre têm sido aplicados de forma crescente às
altas montanhas. Apesar de no início da nova era o foco estar centrado
na escalada em livre de vias normalmente escaladas em artificial, não
levou muito tempo para que novas escaladas difíceis – conquistadas
de acordo com regras mais estritas – aparecessem nas montanhas.
Elas incluem tanto vias de aventura extremamente audaciosas, quanto escaladas
esportivas hedonísticas.
Um importante aspecto
da escalada alpina é a ascensão de vias de gelo. Isso abrange
desde vertentes clássicas de gelo a empreendimentos futurístico
incrivelmente difíceis. Um tipo de escalada de gelo que tem se
tornado popular recentemente é a ascensão de cascatas congeladas,
estalactites de gelo e rochas com finas camadas de gelo. Vias mistas de
rocha e gelo modernas algumas vezes envolvem movimentos muito difíceis
em rocha com o auxílio de crampons e ferramentas de gelo. O jogo
é governado pelas regras da escalada em livre. As vias de gelo
e as mistas podem variar desde brincadeiras de um curto esticão
até operações audaciosas em grandes altitudes que
podem demorar muitas semanas.
:: Escalada de aventura
e escalada esportiva
A terminologia moderna de escalada diferencia os estilos de escalada de
aventura ou tradicional e de escalada esportiva. Escalada de aventura
ou “trad” tem os seguintes elementos:
:: A performance é
julgada pela quantidade de resistência a estresse necessária
para ascensão da via.
:: O escalador é responsável pela colocação
de proteção ou tem que se virar sem ela.
:: Erros cometidos pelo guia podem ter conseqüências drásticas.
Escalada esportiva
é caracterizada da seguinte forma:
:: A performance é
julgada pelo grau técnico da via escalada.
:: O elemento cinestésico é dominante.
:: Grampos proporcionam proteção perfeita.
:: Se técnicas modernas de asseguramento forem empregadas da forma
apropriada, quedas de guias tendem a não ser severamente punidas.
Os estilos de escalada
de aventura e esportiva podem ser aplicados tanto a morros como a paredes
alpinas.
Entre as versões
puras de escalada de aventura e escalada esportiva/plaisir há numerosas
forma híbridas.
Jogos e “filosofias”
de segurança diferentes correspondem a necessidades individuais
divergentes de escaladores. A riqueza de formas nos esportes de montanhas
proporciona prazer e realização pessoal para um grande número
de pessoas – um fato que nós celebramos.
Tanto os amantes da
escalada esportiva quanto os seguidores da filosofia da aventura têm
o direito de escalar de acordo com seus desejos e habilidades.
Deve ser nosso objetivo
preservar o pluralismo dos estilos de escalada, deixando a cada um sua
arena específica.
:: Escalada super-alpina
Esta disciplina de montanhismo aplica regras de escalada alpina a terrenos
de alta montanha em picos de seis, sete e oito mil metros há muito
reservados para expedições tradicionais. No jogo super alpino,
cordas fixas, ajuda de fontes externas ou a instalação de
uma cadeia de acampamentos e as garrafas de oxigênio são
todas rejeitadas.
:: Escalada de expedição
Duas formas deste jogo foram desenvolvidas: A primeira variante tem a
função de permitir que o máximo número de
membros alcance cumes prestigiosos em altas montanhas por meio da via
normal. Eles otimizam a probabilidade de sucesso por meio do uso liberal
de carregadores, cordas fixas e oxigênio artificial.
Em contraste, a forma
extrema de escalada de expedição emprega esforços
para empurrar os limites da dificuldade técnica com a ajuda da
maior parte dos equipamentos modernos, excluindo oxigênio engarrafado:
cordas fixas, acampamentos em portaledge e depósitos de equipamentos.
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