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Fazendo
um gancho da mensagem que o escalador Eliseu Frechou andou espalhando
(com muita razão!), resolvemos divulgar esse assunto tão
importante nos dias de hoje, com o crescimento da nossa atividade,
e considerando que somos grandes responsáveis pelo aumento
da freqüência de escaladores em uma montanha na Serra
do Rio, a Pedra do Elefante, na região de Itaipava.
O escalador citado informou à comunidade escaladora sobre
a situação corrente de desrespeito de alguns freqüentadores
da Pedra da Divisa, no interior de São Paulo, para não
só com a natureza local, já que se trata de Mata Atlântica
preservada com presença de animais silvestres, mas também
com a população local. Já houve casos de escaladores
largando sujeira, levando animais domésticos e até
deixando uma guimba de cigarro que provocou incêndio em área
de lavoura alheia! Os moradores do local, por ignorância ou
medo, permitem o acampamento desse tipo de gente que, provavelmente
(e inacreditavelmente!), deve ter bastante acesso à informação.
Esta é, ao mesmo tempo, uma manifestação de
solidariedade ao grupo de escaladores que tenta controlar esse tipo
de ação irresponsável, e também uma
prevenção contra esses acontecimentos na área
que fomentamos. Seria muito bom saber que a montanha que nos traz
tanto prazer, é proveitosa para toda a comunidade, mas isso
só será possível se houver a conscientização
dela inteira.
A Pedra do Elefante é um grande captador de água,
como toda montanha, alimentando várias nascentes de água
consumida por moradores locais, inclusive o Abrigo do Elefante.
Recentemente, a Prefeitura de Petrópolis propôs a criação
de uma Unidade de Conservação de proteção
integral, o Monumento Natural da Pedra do Elefante, majoritariamente
para proteção dessas nascentes que, segundo os técnicos,
brotam perto da base da pedra (cada grota é uma nascente),
mas também para possibilitar e disciplinar a prática
segura do montanhismo.
Sabemos que alguns praticantes não resistem a dar “a
velha cagadinha” antes de entrar na via (e alguns deles nem
chegam a escalar, aparecendo só pra empodrar!). Pois está
claro que um dos aspectos do Plano de Manejo desta U.C. será
a total proibição de fazê-lo (nem mesmo enterrando!),
assim como de trazer animais domésticos e outros. E sabendo
que o abrigo se encontra tão perto da base das vias, não
há necessidade de usá-la como banheiro. Para ajudar,
nós do Abrigo do Elefante, nos dispomos a construir um banheiro
seco no ponto mais alto do terreno, na última cota antes
das nascentes, para os mais apertados. Para os que não agüentarem
nem chegar ali, pedimos que tragam seu “cheat tube”
ou “pote de merda”. Isso também vale para os
escaladores esportivos. Aliás, aproveitamos para lembrar
de levarem seus esparadrapos de volta.
Podemos citar alguns exemplos de contaminação onde
não houve esta intervenção: Itatiaia (fora
do Parque), onde fezes foram vistas ao lado de nascentes anos atrás;
e Açu, onde a água já é contaminada
pelos visitantes, e aí vão muitos outros. As conseqüências
são essas: fechamento da área para lazer e contaminação
dos últimos reservatórios de água doce existentes.
É inconcebível que sejam os montanhistas responsáveis
por esta “cagada”! Lembremos que velhos hábitos
já não cabem em uma atividade cada vez mais popular,
e em um ambiente cada vez mais frágil.
Ana
Alvarenga e Ralf Côrtes.
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