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30/06/06
MANIFESTO
A.S.N.O. 2ª parte
Por várias
fontes seguras, confirmei rumores sobre um tal boicote! Boicote
a quê?!
Saturado
de viver na Babilônia, depois de lá esgotar meus objetivos,
migrei de uma montanha maravilhosa para outra, já que não
vejo outra saída pra mim além de morar colado na rocha
(quem me conhece, sabe disso!). Após muita andança
pelo Brasil, acabei encontrando terreno numa localidade que conheci
há, mais ou menos, 15 anos atrás, na Serra do Rio,
grudado na Pedra do Elefante, onde me estabeleci em 2004. Quem me
mostrou o lugar foi o grande escalador petropolitano Márcio
Buzina, que junto com o Eric, deu ritmo à escalada na região
de Petrópolis (diga-se de passagem, na última vez
em que ele esteve no Brasil, insistiu para que eu tomasse conta
das vias dele, que foram modificadas por escaladores locais, falando
até em declaração por escrito! Eu, prudentemente,
recusei, achando que poderiam existir escaladores mais competentes
para tal tarefa.)
Necessitado
de novos objetivos, e avistando diariamente a parede virada para
o Norte, com apenas três vias iniciadas (duas pelo próprio
Buzina, há anos), foi inevitável (e, acredito, seria
para qualquer amante da atividade) a gula por criar meus próprios
projetos (quem faria isso por mim?), realmente abrindo várias
vias de acordo com o objetivo traçado para cada uma. Linhas
minuciosamente estudadas (algumas há 15 anos atrás,
e que só agora puderam ser realizadas), em todos os estilos
que a montanha me proporciona, até mesmo nos blocos que se
desprenderam dela, e que hoje se transformaram em boulders (23 blocos,
até agora, com mais de 50 lances abertos). Agora, me diga:
há quanto tempo existe escalada no Brasil? Há quanto
tempo eu vejo esse lugar, e ninguém por aqui? (sem contar
os camaradas, claro, por que eu estou sempre acompanhado).
O negócio
é o seguinte: parou no meu ouvido (forma covarde de saber)
há, mais ou menos, uns 4 meses e, mais recentemente, foi
confirmado, que dois figuras da região disseram “vamos
boicotar o Ralf por que ele está iniciando todas as linhas
só pra segurar, deixando nada pra ninguém!”
1º
Que absurdo! Nem que eu quisesse...
2º
De repente, os caras não conhecem a escalada esportiva, um
estilo de vias curtas (usando o bom senso)... quem realmente escala,
sabe que isso existe em várias montanhas no Brasil e no Mundo,
inclusive algumas aqui na Serra (será que eles conhecem?);
3º
esclareço que algumas das vias iniciadas aqui são
de camaradas (como o Buzina, outra vez) que me liberaram pra terminar;
4º
como eu não sou de ferro, com uma montanha tão bonita
dessa atrás de mim... eu estou com 80% dos meus projetos
terminados;
5º
, e último, se os incomodados viessem aqui trocar idéia,
eu não precisaria estar escrevendo este Manifesto.
Resolvi
me manifestar porque mencionaram meu nome sem ao menos tirar uma
satisfação amigável pessoalmente. Um figura,
a comunidade escaladora já conhece por alguns “feitos”
(ou seriam defeitos?), e o outro, é um cara de peso no C.E.P.,
hierarquicamente falando. Não cito os nomes porque não
ouvi os fatos diretamente deles. Agora me diz: como pode alguém
de peso num importante clube de montanhismo, fazer apologia contra
a conquista e abertura de vias de escalada que podem proporcionar
diversão a todos? Haja visto os mais de 50 escaladores que
passaram por aqui e se divertiram. Isso me remonta ao Manifesto
A.S.N.O. 1ª parte, onde me refiro ao vice-presidente de um
clube do Rio que fomentava a grampeação de fendas
e, pior ainda, estimulava a anulação dos Direitos
Autorais das vias, ou seja, o atropelamento das mesmas sem consulta
prévia aos conquistadores.
Em fim,
será que se trata de bairrismo, tipo Fora, Haole!? Há
um ano e meio morando aqui definitivamente, quem mais me ajudou
foi Ana Alvarenga, minha mulher, e Anderson, um escalador iniciante
(apenas 3 meses) da cidade próxima Areal, não só
nas conquistas e aberturas de vias como nos reflorestamentos (junto
com os vizinhos, plantamos mais ou menos 300 mudas na área
da montanha) e manutenção de trilhas, além
de tirar do bolso o pagamento de mão-de-obra na abertura
de aceiros.
A conclusão
é o seguinte: eu vivo de escalada há vinte anos, e
não estou falando só de dinheiro não (até
porque, no nosso sistema, de escalada não se vive, se sobrevive),
estou falando de ar. Primeiro, me refugiei numa montanha... vivendo
num lugar tão bacana, resolvi montar um Abrigo de Montanha,
pra ouvir histórias e talvez, até, contar histórias,
além de conhecer gente nova. Eu não posso proibir
ninguém de escalar nessa Pedra (em nenhuma), inclusive criei
um acesso à base pelo meu terreno (portão constantemente
aberto) para não incomodar os vizinhos, visto que eles querem
viver sossegados (motivo principal). Porém, é meu
direito afirmar que “aquele” tipo de gente não
é bem-vindo na minha casa, e eu me sinto em casa em qualquer
pedra, e pedra por pedra, tem no mundo inteiro!
E a dúvida
continua: Boicote a quê?
Manifesto
A.S.N.O. (Alpinistas Sem Nexo e Objetivos)
2ª
parte
R.C.
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